Quando o avião subiu, comecei a sentir uma pressão muito forte na minha cabeça, uma dor tamanha que não tinha fim. Minhas mãos começaram a tremer, minha boca ficou seca e logo veio um enjoo. Você deve estar se perguntando, mas você nunca havia feito nenhuma viagem de avião? - SIM, já havia feito 2 viagens com meus pais e até então, tudo OK.
Assim que foi avisado que era para soltar os cintos, eu chamei a "aeromoça" naquela época, elas eram chamadas assim, disse a ela que não estava me sentindo muito bem, que estava enjoada, a mesma me trouxe um água tônica com limão e me pediu para cheirar o limão, fiquei ali sentada tomando a água e cheirando o limão, naquele momento, comecei a sentir um medo, um medo que nunca havia sentido. Uma sensação estranha, como se estivesse flutuando.
Olhei ao meu redor e vi quase todos em pé, conversando, dando risadas e se divertindo, jogando baralho, vendo filme e alguns até mesmo já dormindo.
Bem, naquele momento, tentei me acalmar e me levantar, andar um pouco e conversar com as pessoas, me levantei e me senti mais enjoada, fui até a minha guia e conversei com ela, dizendo o que estava acontecendo comigo. Ela então me pediu para se sentar ao lado dela.
Em momento algum, havia me passado pela cabeça, em querer voltar, ou pedir isso a guia. Fiquei ao lado dela e fui me acalmando, até o momento que consegui me levantar e ir conversar com meus amigos, os dois meninos que a Juliana havia me apresentado estavam sentados na classe executiva, poltronas maiores, mais comodidade, fui até lá e comecei a me sentir bem (hummmm porque será? rsrsrsr)
Comentei isso com a guia e com a aeromoça, então elas conseguiram um assento pra mim ali na classe executiva, me mudei, estava bem ao lado da guia, coisa de 2 poltrona a frente, peguei um cobertor, me estiquei e comecei a dormir, acho que dormi quase umas 3 horas.
Quando acordei, me levantei e fui conversar com o pessoal, onde comecei a conhecer quem estaria no meu grupo. O pessoal era muito legal, comecei a dar risadas e a conversar com todos, foi ai que começamos a jogar baralho e a distração foi passando.
O almoço foi servido e o filme começou " O Mascara, do Jim Carrey", não consegui assistir direito, pois aquela aflição estava voltando. Quis voltar a ficar ao lado da guia, fui até lá e a guia me disse que era pra eu sentar no meu lugar que em 2 horas estaríamos chegando. Voltei ao meu lugar, peguei o cobertor e fiquei sentada. Depois de 8 horas, chegamos.
Todos empolgados, pegando suas malas, falando de mais, querendo descer logo do avião e finalmente conhecer a Disney. O mundo encantado.
Descemos todos do avião, senti um calor enorme quando desci, ainda tinha sol, respirei bem fundo e senti que naquele momento, estava sozinha em um país totalmente estranho, com 1 mil dólares no bolso, longe dos meus pais e só voltaria em 15 dias!!!!
E agora?
Entramos e um ônibus e fomos direto para a parte interna do aeroporto, passando assim pela imigração. Tudo OK, podemos entrar no país. Agora sim minha viagem estaria começando. Todos em direção ao ônibus, junto com os guias e com o grupo.
Fomos direto para o Hotel, e no ônibus as bagunças já começaram, um tirando com a cara do outro, um se apresentando para o outro e assim por diante. Chegamos no Hotel. UUUUOOOLLLLL que hotel. Showwwww, estava me sentindo realmente nos Estados Unidos. Tudo estava ok, até o maleiro levar nossas malas para o quarto, chegando no quarto começamos a arrumar as coisas e o maleiro do lado de fora do quarto, não tínhamos entendi nada, até termos a ideia que ele estava esperando a gorjeta. Tudo novo para gente. Alias tudo ali era novo para nos 4, pois nunca havíamos saído do Brasil. Até então, eu estava bem, me sentia bem, pois estava achando tudo muito legal.
Os dias foram se passando e os sintomas em mim começaram a aparecer, um dia não me sentia bem, cansada, com vontade de voltar para o hotel e ficar deitada, outro dia com dor na barriga e querer ficar sentada, sem querer andar no parque. Até que um dia, fui para o hotel mais cedo, onde a Guia chamou os médicos e pediu para me levarem ao hotel. Chegando no quarto, me deitei e comecei a me sentir bem, porem com muita saudades dos meus pais, o médico me examinou, eu estava bem, pressão ok, sem febre e sem dores. Foi quando ai, um dos médicos ligou para os meus pais, aqui no Brasil, conversaram pelo telefone, não prestei muita atenção, mas quando o médico me passou o telefone eu comecei a chorar, era minha mãe, chorava de saudades, como se não havia a mais de 5 anos. Conversamos por um bom tempo no telefone, e assim que desligamos eu dormi.
Depois desse dia, comecei a sentir todos os outros dias essa sensação de "abandono dos meus pais". PERA Í ANA PAULA, COMO ASSIM?!?! VOCÊ DEVE ESTAR SE PERGUNTANDO. Essa era a minha sensação durante o resto da viagem. MAS ANA PAULA VOCÊ ESTAVA NA DISNEY E VOCÊ NÃO APROVEITOU? Sim, eu aproveitei, mas comecei a reparar que não era mais uma diversão "sem censura", eu comecei a ficar mais ao lado da guia, e não ia nos brinquedos mais radicais, comecei a então sentir medo de me perder da guia e ficar sozinha, foi ai que tudo realmente começou.
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