Fui tudo muito rápido quando comecei a sentir os sintomas. Eu não via a hora de voltar para casa e sentir o abraço da minha mãe. Não sei porque a minha MÃE, mas eu sentia muita falta dela. Os dias então se passaram e o dia da volta chegou, no aeroporto de Miami comecei a ficar nervosa porque não queria entrar no avião e sentir aquela mesma sensação que senti na ida. Então eu tomei 3 comprimidos de Dramin, na época era o único que me apagava. Entrei no avião e logo quis me sentar ao lado do Guia, não queria me sentar em outra poltrona que não fosse a do lado do Guia. Entramos e eu estava com muito medo, coloquei meu Mickey sobre meus pés, puxei a coberta e fiquei com muito sono, assim que o avião subiu eu capotei, o jantar foi servido e eu nem ví. Eu me lembro que acordei no meio da noite e olhei para o lado e a Juliana estava sentada na fileira ao lado e o banco do lado dela estava vazio, a janela dela estava aberta, eu olhei pra fora e vi um céu que eu nunca mais vou esquecer, um céu totalmente estrelado, eu acordei a Juliana e mostrei pra ela, e ela também ficou encantada, até hoje ela me agradece por ter acordada. Mas ai voltei a dormir, só acordei quando uma pessoa bem lá na frente abriu a janela e o raio de sol veio no meu rosto, forçando assim eu a acordar. Já estávamos no Brasil e íamos aterrissar. Maravilha, estava chegando e logo ia dar um abraço enorme na minha mãe.
Chegamos e logo fomos pegar as malas, queria sair correndo, mas me lembrei que meu pai havia me pedido uns Whiskys, como ainda não tinha 18 anos e queria ir logo, pedi para um cara comprar pra mim, ele já estava na fila no FreeShop e passou pra mim. Peguei as comprar e saí correndo, não via a hora de abraçar minha mãe. Saindo pela porta, fiquei desesperada procurando meus pais, foi ai que ví minha mãe de braços abertos, me esperando com sorriso no rosto, larguei o carrinho com minhas malas e corri até ela..... ahhhhhhh que abraço mais gostoso, que falta eu estava sentindo, chorei tanto que não sabia explicar tamanho era meu choro. Minha mãe me perguntava se eu estava bem e porque estava chorando, e eu só queria abraça-la.
Os amigos foram saindo e todos foram se despedindo.
Pronto a viagem tinha acabado, mas mal sabia que a partir dali eu iria começar a enfrentar algo que eu já mais esperava.
Bem, pegamos o carro e fomos para casa, no carro contei poucas coisas sobre a viagem, estava com muito sono ainda, não via a hora de chegar em casa e dormir na minha cama. Cheguei em casa, tirei a roupa, coloquei uma roupa bem confortável e fui dormir, acho que dormi um dia inteiro de tanto sono que tinha. Quando acordei, minha mãe tinha feito feijão com arroz e bife frito uhuuuuuuuuu comida Brasileira!!!! Que demais.
Bom, os dias foram se passando, e eu comecei a perceber que certas atitudes minhas estavam se alterando, eu ia pra escola e no meio da aula sentia um vazio, uma vontade enorme de voltar pra casa, ficar deitada na cama, ficar com minha mãe. Alguns sintomas começaram a aparecer como, uma quentura nas costas, ela começa bem no meio das costas e vai tomando conta dos ombro e braços, meu peito pedi pra que eu cruze os braços, como se estivesse o protegendo, e meu cérebro me manda um comando de medo, que precisa sair dali a qualquer custo. Tinha vergonha de falar isso para a professora, então dizia que queria ir ao banheiro e descia para a Diretora e pedia para ligar para minha mãe. Minha mãe vinha me buscar na escola sem entender nada.
Chegava em casa e começava a chorar, não sabia o porque, mas queria chorar e ficar abraçada a minha mãe, deitada na minha cama. Mas comecei a perceber que aquele medo estava tomando muito conta de mim e eu já não conseguia ficar mais sozinha em casa, ninguém podia sair de casa e me deixar só, eu tinha que ir com todos. Mas quando saia, me sentia mal, dor de cabeça, tontura, as quenturas nas costas, mãos frias, tremedeiras, e então pedia pra minha mãe ou para o meu pai que tínhamos que sair daquele local, pois não estava me sentindo bem.
Meus pais não entendiam nada e nem meus irmãos, chega a chorar e a pedir por favor, pois estava me sentindo muito mal. Muitas vezes quando saiamos para jantar, a comida ficava todinha no prato e saia do local com muito medo, as vezes o local estava muito cheio e eu não conseguia respirar, não via entrada e nem saída de ar, e me perguntava!!! COMO POSSO RESPIRAR AQUI??? PRECISO SAIR DAQUI E RESPIRAR AR PURO, QUERO UM LUGAR ABERTO!!!!
Foi ai que minha mãe começou realmente a reparar que algo bem estranho estava acontecendo comigo e que aquilo não era passageiro. Meus pais, então começaram a procurar profissionais que pudessem dar melhores explicações sobre o que estava acontecendo. Meu pai, na época trabalhava muito, acordava cedo, já ia para o Banco e só voltava as 7h da noite, então tudo fica para minha mãe.
Continuei a estudar, Graças a Deus, eu consegui ir a escola e terminar meus estudos. Mas assim que chegava em casa e se minha mãe precisasse sair, eu ia junto. Não fica em casa sozinha de modo algum. Comecei então a frequentar os lugares que minha mãe ia, supermercado, padaria, farmácia, lojas, médicos, mecânicos e outros lugares. Era impossível deu ficar 5 minutos em casa sozinha. Não podia pensar nessa hipótese. Até quando saia com minha mãe, eu sentia os sintomas e não me sentia bem.
Eu comecei a perder as minhas amizades, pois não conseguia mais sair com minhas amigas, eu sempre chamava elas para ir em casa, claro com minha mãe em casa. Mas quando era para ir na casa de alguma delas eu não ia. Muitas chegaram a se questionar do porque desse meu comportamento, e eu tinha vergonha de falar. Um dia estávamos no meu prédio, com 5 amigas, brincando e dando muitas risadas, quando eu resolvi subir para beber água, e ouvi uma das meninas comentando, PORQUE A ANA PAULA ESTÁ ASSIM? ELA NÃO SAI MAIS COM A GENTE, E A GENTE SEMPRE PRECISA VIR AQUI.
Uma amiga minha chamada Aline, que é minha amiga até hoje, respondeu, AH SEI LÁ, ELA DEVE ESTAR COM ALGUMA COISA, MAS JÁ JÁ ELA MELHORA.
Fiquei mal ao ouvir isso, subi e chorei muito, não queria mais descer, e comecei a repara que as amizades, começaram a se distanciar.
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